Sinestesia de si

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Ela veste um perfume cor de rosa,
Hora calmo, pouco adiante intenso.
Do signo de libra, contraria a astrologia,
Por ser dona de olhos aveludados e confiantes.
Pedaços de caramelo derretidos em lágrimas quando nostálgica,
Rememora o passado mergulhada em sofreguidão.

Até a dor dessa menina é sinestesia.
Diante das memórias do passado,
Tem o poder de transformar toda a saudade em sonhos de algodão doce.
Uma fortaleza de fragilidade que navega pelo infinito azul.
Repartindo-se em sorrisos solares
Hora para agradecer e propagar, pouco adiante para disfarçar.

Já mulher, carrega no peito traços de menina,
Que verde como banana, ainda imatura.
Por outro lado, atenta ao descascar de um coração
Não mais caixa de segredos, mas morada das próprias promessas.
Independente de desvios, faz do amargo, açucarado.

Liberta das amarras,
Hora descalça sentindo a natureza,
Pouco adiante armada de saltos tão altos quanto o destino que deseja alcançar.
Pelo caminho, observa o detalhe simbiótico de cada criatura,
E afirma não ter espaço para outro ser recostar no seu cangote.

Tão dona do próprio destino,
Destoa do senso comum que já fora parte. 
Não mais quer ser a princesa dos contos que lia.
Doravante, protagoniza a história que escreve sobre si.

*Poesia produzida para a aula de Desinibição Textual da pós-graduação em Escrita Criativa da Universidade Feevale. A regra era usar as cinco palavras em destaque.

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