Só sei que as pessoas não sabem

21:24


Tenho a sensação que, a cada dia que passa, as pessoas distorcem em gigantescas escalas os sentimentos dentro do peito. Elas não tem tempo de sentir de verdade. E as projeções se fazem para satisfazer o íntimo de uma alma mal cuidada.

Veja bem! Quando falo "as pessoas", de certa forma, falo para disfarçar o meu pertencimento a classe de seres que se dizem humanos, mas se escondem dos outros e de si mesmos.

Quantas crises existenciais já tive na vida? Incontáveis. Se já pulei pela janela? Praticamente. As marcas são inegáveis. O pessimismo por vezes toma conta? Inimigo disfarçado de grande conselheiro.

As pessoas são mesmo muito contraditórias e complicadas em sua tamanha perfeição repleta de defeitos varridos pra de baixo do tapete. Fico impressionada com a quantidade de pó que essa gente toda não tem coragem de sacudir. É rinite!

Se eu tenho alergia? Várias! Muitas vezes nem é nada, mas finjo ser só pra ter aquela desculpa e não precisar, de fato, nada fazer. O que penso sobre fazer nada? Faço muitos, faço vários. Só não conto, fazer nada rima feio! Bonito mesmo são os ecos de uma agenda lotada de grandes feitos.

As pessoas gostam de ostentar suas conquistas. As viagens, os luxos, os empregos maravilhosos, os amores, as amizades, as refeições em família, as "não refeições" equivalentes aquele corpo de catálogo de lingerie. Tem de um tudo compartilhado por aí. Roteiros de dar inveja nos blockbusters hollywoodianos e até nos mais excêntricos provindos de Berlim.

E eu? Eu também! Meu diário online é escancarado. Adoro mostrar pra todo mundo como a vida se desenrola maravilhosa. Juro! Não precisa colocar a mão no fogo pelo que discorro. Mas é fato! É! E eu amo todas as chances que tenho de ser feliz, de estar, de ser, de pertencer, de dividir, de agradecer, de acreditar (em Deus, Jesus, espíritos, amigos imaginários, fadas, gnomos, Papai Noel, astros e estrelas). Você também, não?

Se sim, se não. Tudo bem. De verdade!

Agora, cá entre nós! Você e eu, eu e você (juntinhos, salve Tim!). As pessoas adoram duvidar. Entendo. Às vezes, também duvido. Du-vi-do muito!!!!!!!

Ah, as pessoas, essas pessoas. Nem sabem de si e querem saber dos outros. As pessoas nem se quer entenderam porquê estão aqui. Por que querem estar aqui. Do que gostam. Do que se alimentam, onde vivem. Não pera. Isso são as linhas do Globo Repórter.

O fato é que as pessoas não sabem. Não se conhecem. E ficam tentando descobrir mundos (internos e externos) através dos olhos de outras pessoas, assim como elas, assim como nós - eu e você que me lê -, confusas. Confuso. Sei!!!

O que sei?

Ah, Sr. filosofo, por favor, me empresta as suas palavras brilhantemente eternizadas.

Só sei que nada sei!

E as pessoas?

Arrisco a dizer que as pessoas, quando o assunto vem lá da alma, até fingem saber. Entretanto, portanto, contudo, todavia. Enfim... As pessoas de muito provam em infinitos gestos que tão pouco sabem assim como Sócrates, você e, claro, eu!

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