Noite de embriagar

11:28


Na saída de um lugar qualquer avistei a dona daquele olhar. Distante do mundo, perdida no tempo. Imóvel, apenas agitava um cigarro num misto de impaciência e sedução. A noite abraçava a madrugada fria, e ela lá, lindamente congelada. De paralisar!
Dentro de mim, desejos quentes a devoravam em silêncio. Cheguei mais perto, pedi fogo. Ela sorriu e rodopio o isqueiro entre os dedos, levando a mão em minha direção. Unhas vermelhas, afiadas. Meus sórdidos pensamentos quase derrubaram o cigarro no chão. Chão onde queria mesmo desarmá-la. Já podia a enxergar nua, despida de todos os pudores.
Além de fogo, aquela garota tinha poder em suas mãos. Poder sobre os meus sentidos. Poder sobre minhas cabeças que não mais conseguiam parar de me sugerir cenas pornográficas. 

Ela ascendeu outro cigarro como se pedisse: fica! E eu fiquei. Fiquei ali, extasiado por ter a chance de admirar suas curvas reticentes, salivando desejo. Será que estava molhada como em minha imaginação?

Não me faltou vontade de pegá-la de jeito e deixá-la de quatro ali mesmo, no meio da rua. Queria fazer da lua testemunha dessa paixão arrebatadora. Mas o taxi chegou, e ela lançou apenas um breve olhar de adeus.
Sem nem ao menos saber seu nome, me recolhi a passos largos em direção de casa. Pela janela do quarto andar, admirei as poucas estrelas que ainda faziam companhia àquela noite de embriagar. Teria sido sonho?
De repente, a campainha!


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