Ela sonhava...

13:25



Sentada na janela, tão bela. Admirava a chuva molhar a terra, refrescar paixões meio acessas, metade promessas. Observava a tempestade sem medo. Tremula, ouvia os trovões cantarem, enquanto os raios iluminavam a escuridão. A lua se escondera pra brilhar outras belezas.

A fumaça corria solta, leve. Era como se cada sopro fosse capaz de transportar seus mais misteriosos pensamentos. Sem saber explicar, soprava e soprava. Entre os dedos, o cigarro queimava lentamente. Devagar como aquele ansioso encontro. Devagar e ansioso. Contraditório. Tão contraditório.

Ela sonhava. Nem ao menos o gosto do beijo, beijara. Ela sonhava. Nem ao menos o calor da pele, tocara. Ela sonhava. Nem ao menos a sensação do outro, ousara. Ela sonhava, sonhava, sonhava... Ainda assim, depois de tudo, tantos enganos. Ela sonhava!

E no silêncio de um mundo inteiro, a sensação era de um barulho ensurdecedor. Gritos em forma de sussurros pedindo sem prudência alguma pra abrir a porta. Deixar entrar, deixar morar. Deixar lavar como as águas de março no fim do verão. Clichê. Tão clichê!

Quanto tempo ainda há de correr? Quanto tempo ainda teria pra voar? Como nunca se encontraram? Que garantias de novo não machucar? Mais e mais perguntas a questionar? O que parece, realmente é? Ou apenas nuvens de fumaça a confundir?

E a verdade, é que naquele momento, ela preferia não saber. Afinal, em seus sonhos, podia apenas sonhar. De seus sonhos, mesmo quando pesadelos, despertar. Mas a realidade. Ah, a realidade é repleta de desvios que como brasa queimam lentamente. Coragem, garota! Quando verdadeiramente se sonha, acredite, realidade.

Sentada na janela, tão bela, ela sonhava...

Você também vai gostar

0 comentários

rodapé

rodapé

Manda um alô!

Posts recentes

Facebook